Persianas quebradas e cortinas manchadas estão entre os cinco itens mais disputados quando o inquilino sai do imóvel. O problema não é a disputa em si — é que na maioria das vezes não há prova de como esses itens estavam quando o locatário entrou.
Uma persiana custa entre R$180 e R$800 para substituir, dependendo do tamanho e material. Cortinas blackout saem por R$250 a R$600 o par. São valores que ninguém quer pagar sem necessidade — nem proprietário, nem inquilino.
A documentação correta resolve isso antes de virar problema.
O que registrar em persianas
Persianas têm peças móveis que desgastam. Você precisa testar e documentar o funcionamento, não só tirar uma foto de longe.
Mecanismo de subida e descida: Puxe a corrente ou cordão até o final. A persiana sobe suave ou trava? O mecanismo faz barulho de peça solta? Anote no laudo. Uma persiana que já sobe aos trancos na entrada vai estar pior na saída — e isso não pode ser cobrado do inquilino.
Estado das lâminas: Lâminas quebradas, tortas ou desencaixadas precisam estar listadas por quantidade. “Persiana com lâminas danificadas” não serve — escreva “3 lâminas quebradas na parte inferior” ou “lâmina central desencaixada”.
Fita ou cordão: Fitas de persiana ressecam e arrebentam com o tempo. Se a fita já está desgastada na entrada, fotografe de perto e descreva. Sem isso, o proprietário pode cobrar troca completa na saída.
Fixação na parede: Persianas mal fixadas caem. Teste se o suporte está firme. Se estiver frouxo, documente — porque quando cair, você vai precisar provar que não foi instalação mal feita pelo inquilino.
O que registrar em cortinas
Manchas e desbotamento: Cortinas desbotam com sol. Manchas de mofo aparecem em áreas úmidas. Tire foto de cada painel, com luz natural se possível. Se houver mancha, fotografe de perto para mostrar extensão e localização (barra inferior, meio do tecido, topo).
Costuras e bainhas: Bainhas descosturadas e rasgos nas laterais são comuns. Documente exatamente onde está o problema. “Cortina da sala descosturada” não basta — “bainha inferior da cortina direita descosturada em 15cm” é documentação útil.
Varão e suportes: Varões empenados ou suportes soltos causam acidentes. Teste a firmeza. Se o varão estiver torto ou o suporte frouxo, isso vai no laudo — com foto mostrando o problema.
Ilhoses e argolas: Ilhoses rasgados impedem que a cortina deslize. Conte quantos estão danificados. Argolas quebradas ou faltando também entram na lista.
Casos que já vi virarem disputa
Uma cliente minha teve que pagar R$680 por uma persiana que já estava com mecanismo travando na entrada. Não havia registro disso no laudo. O proprietário exigiu troca completa alegando que estava perfeita no início da locação.
Outro caso: cortina com mancha de mofo de 20cm na barra inferior. O inquilino alegou que a mancha já existia, mas não tinha foto. Pagou R$420 por cortina nova sendo que a mancha provavelmente já estava lá — só não foi documentada.
Em ambos os casos, 30 segundos a mais na vistoria de entrada teriam evitado o conflito.
Técnica de fotografia para persianas
Foto geral do ambiente: Mostre a persiana instalada, de corpo inteiro. Isso estabelece contexto — qual janela, qual cômodo.
Foto do mecanismo: Detalhe a corrente, cordão ou comando. Se houver desgaste visível, isso precisa aparecer na imagem.
Foto das lâminas: Se houver lâminas quebradas ou tortas, fotografe de um ângulo que mostre claramente o problema. Luz lateral ajuda a destacar lâminas desalinhadas.
Foto de cada defeito específico: Lâmina quebrada, fita ressecada, suporte frouxo — cada problema merece uma foto própria.
Técnica de fotografia para cortinas
Foto de cada painel: Se a janela tem dois painéis, fotografe cada um separadamente. Cortinas são assimétricas — um painel pode estar perfeito e outro manchado.
Foto de perto para manchas: Manchas pequenas somem em foto de longe. Aproxime o celular, use luz natural, mostre a mancha em relação ao tecido ao redor.
Foto da bainha e costuras: Bainhas descosturadas aparecem melhor se você fotografar de baixo para cima, mostrando a linha solta.
Foto do varão e fixação: Se o varão estiver torto ou o suporte solto, posicione a câmera de forma que o defeito fique evidente. Às vezes uma foto de lado mostra melhor que de frente.
Descrição que protege
Fotografia sem descrição não basta. A foto mostra, a descrição confirma e detalha.
Ruim: “Persiana da sala com defeito.”
Bom: “Persiana horizontal branca da sala — mecanismo de subida trava aos 80cm, faz ruído metálico ao descer, 2 lâminas quebradas na parte inferior esquerda, fita lateral direita ressecada com início de rompimento.”
Ruim: “Cortina do quarto manchada.”
Bom: “Cortina blackout bege do quarto — painel esquerdo com mancha escura de 12cm de diâmetro a 30cm da bainha inferior (possível mofo), painel direito sem manchas, bainha do painel esquerdo descosturada em 8cm na lateral.”
Especificidade é proteção.
Persianas que não abaixam completamente
Algumas persianas antigas não descem até o fim — param 5cm, 10cm antes do batente. Isso não é defeito necessariamente, pode ser regulagem original. Mas se você não registrar, o inquilino pode alegar na saída que a persiana “não funciona”.
Documente a altura exata onde a persiana para. “Persiana desce até 8cm acima do batente da janela” — com foto mostrando o espaço.
Cortinas que não cobrem a janela inteira
Cortinas curtas ou estreitas demais são comuns em imóveis antigos. O inquilino pode querer trocar por cortinas maiores e na saída alegar que as originais “estavam erradas”.
Registre as medidas: “Cortina da sala com 1,80m de altura e 1,20m de largura cada painel — não cobre totalmente a janela de 2,00m (janela fica com 20cm expostos na parte inferior)”.
Sem essa descrição, você não consegue provar que as cortinas originais eram curtas por escolha do proprietário.
Quando recomendar manutenção preventiva
Se a persiana está travando mas ainda funciona, ou a cortina tem ilhós começando a rasgar, você tem duas opções:
- Documentar o problema e aceitar que vai piorar durante a locação (o inquilino não é responsável por desgaste natural)
- Recomendar ao proprietário que faça a manutenção antes da entrada
A segunda opção evita conflito futuro. Uma persiana que já está travando na entrada provavelmente vai quebrar nos primeiros meses — e aí vira disputa sobre quem paga o conserto.
Sua recomendação no laudo protege ambas as partes.
Checklist rápido para persianas
- [ ] Testar mecanismo de subida e descida
- [ ] Contar lâminas quebradas ou tortas
- [ ] Verificar estado da fita ou cordão
- [ ] Testar fixação dos suportes
- [ ] Fotografar mecanismo de perto
- [ ] Fotografar cada defeito específico
- [ ] Descrever funcionamento no laudo
Checklist rápido para cortinas
- [ ] Fotografar cada painel separadamente
- [ ] Verificar manchas e desbotamento
- [ ] Verificar bainhas e costuras
- [ ] Testar firmeza do varão
- [ ] Contar ilhoses ou argolas danificados
- [ ] Fotografar manchas de perto
- [ ] Medir altura e largura se não cobrir janela completa
- [ ] Descrever estado de cada painel no laudo
Persianas e cortinas parecem detalhes pequenos, mas viram valores grandes quando mal documentados. Trinta segundos a mais testando o mecanismo e fotografando cada defeito te poupam horas de discussão depois.
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